A inovação que não se ensina nas escolas de negócios

Como Design de Sistemas Regenerativos irá salvar os negócios e a vida no século 21

Por Lara Freitas e Marina Dain 


A paisagem empresarial deste século é palco de transformações profundas e incertezas sem precedentes. Paradigmas antes inabaláveis estão sendo questionados, enquanto o mundo se vê confrontado por crises simultâneas – desde emergenciais climáticas até tensões político-ideológicas e desigualdade social. Abordagens fragmentadas e, muitas vezes, simplistas, provam ser insuficientes, contribuindo para a insegurança, a apatia e o burnout generalizado entre profissionais e líderes empresariais.

Diante deste contexto complexo e polarizado, surgem perguntas essenciais: “Por onde começar?”, “Como atuar como ponte para o diálogo e a colaboração?”, “É possível promover mudanças significativas a partir do meu lugar?” e “Como garantir prosperidade econômica com impacto positivo na sociedade e no meio ambiente?”

Este artigo, baseado no Podcast Raízes da Inovação com Marina Dain (Nana) e Lara Freitas - especialistas em design de sistemas regenerativos e representantes do Gaia Education¹ no Brasil - traz insights profundos sobre como transformar, inovar e regenerar em qualquer segmento de mercado. A conversa enriquecedora explora a necessidade de uma mudança de paradigma – que vá além da mitigação de danos – e nos propõe uma nova forma de pensar a atuação profissional e organizacional, fundamentada em abordagens sistêmicas.

Tensões atuais como sinais de novos paradigmas

O cenário contemporâneo evidencia três grandes tensões que sinalizam a necessidade de evoluir a visão de mundo, tradicionalmente focada em aspectos específicos e de curto prazo, para uma perspectiva mais sistêmica e de longo prazo. É imperativo repensar, gradualmente, paradigmas, estratégias e práticas.

Ecocídio Corporativo e Social

A primeira tensão diz respeito ao “ecocídio corporativo”, fruto de modelos de negócios que priorizam apenas o crescimento econômico, muitas vezes à custa dos recursos (finitos) do planeta. Essa visão, que trata a vida como máquina, gera consequências catastróficas, afetando não só o meio ambiente, mas também a viabilidade futura das próprias empresas. Estudos recentes apontam que, até 2050, as emergências climáticas poderão impactar até 20% do PIB global, ocasionando perdas superiores a 200 trilhões de reais². Portanto, pensar em sustentabilidade e regeneração é uma atitude de inteligência estratégica para todos os segmentos.

É crucial reconhecer que os negócios são feitos de pessoas, e desta forma, são movidos por uma visão de mundo específica. Por exemplo, mensurar o sucesso apenas pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que contabiliza até mesmo atividades danosas como guerras e desastres, é uma métrica pobre e distorcida. Em contrapartida, abordagens holísticas como o FIB (Felicidade Interna Bruta)³ ampliam o olhar para além dos indicadores financeiros, incorporando métricas qualitativas relacionadas à saúde social, ambiental e ao bem-estar das comunidades. Empresas que adotam essa visão mais ampla demonstram maior capacidade de inovação e resiliência.

Não é só o mundo dos negócios que está cometendo ecocídio. A nossa sociedade como um todo está vivendo esse ‘Business as usual’ (…) Não dá pra ter crescimento infinito dentro de um de um mundo de recursos finitos.
– Marina Dain

Da Apatia para a Esperança Ativa

A segunda tensão é a “epidemia da apatia”, um sentimento generalizado de cansaço, estresse e desânimo diante das múltiplas crises contemporâneas, exacerbado pelo excesso de informações e distrações digitais. Sobrecarga que gera uma sensação de impotência, reforçada pela crença de que as soluções virão de agentes externos, o que inibe a iniciativa individual.

Contudo, é possível romper esse ciclo ao reconectar-se com aquilo que "nos afeta" e agir com passos concretos, “até onde a mão alcança”, como enfatiza Lara Freitas no podcast. A transformação para a “esperança ativa” – inspirada nas visões de Joanna Macy⁴ e no conceito de “esperançar” de Paulo Freire⁵ – reforça que cada pessoa tem um poder significativo de ação diante do seu círculo de relações.

Respostas eficazes frequentemente emergem da união coletiva em torno de propósitos comuns, tanto na esfera pessoal quanto profissional. Ao assumirmos o protagonismo diante do que podemos fazer, superamos a inércia da inação e contribuímos para um futuro mais condizente com o que acreditamos, passo a passo.

Não dá para esperar que alguém vá resolver o que nos afeta. Precisamos de todas as nossas habilidades e talentos na direção de construir esse caminho (…) E por mais que eu dê passos individualmente, são respostas que o mundo pede coletivamente, seja na família, em comunidades de interesse ou nas organizações.
– Lara Freitas

ESG, Sustentabilidade e Regeneração: Um diálogo necessário

A terceira tensão envolve o debate sobre ESG (Environmental, Social, and Governance)⁶, Sustentabilidade e Regeneração – temas amplamente presentes no mundo corporativo diante dos crescentes desafios econômicos e socioambientais. Embora interligados, esses conceitos representam abordagens distintas:

  • Sustentabilidade: Busca equilibrar as necessidades do presente sem comprometer as futuras gerações, traduzindo-se em práticas que minimizam impactos ambientais e sociais e promovem governança responsável. Contudo, essa abordagem muitas vezes opera dentro de um modelo de “soma zero”, focado apenas na redução de danos ou na compensação de recursos, sem de fato regenerar o que foi degradado.

  • ESG: Surgiu a partir do mercado financeiro como um conjunto de diretrizes para orientar as empresas rumo a práticas mais responsáveis. Embora represente um avanço, sua aplicação frequentemente se restringe a um checklist de conformidade, podendo, em alguns casos, ser utilizada como ferramenta de “greenwashing”. A questão central é se o ESG, de fato, desafia a lógica que nos trouxe à crise atual ou se apenas adapta estratégias antigas a novos critérios. Ainda assim, o ESG pode iniciar uma transformação mais significativa se as empresas deixarem de focar apenas na redução de riscos reputacionais/operacionais e passarem a priorizar a regeneração como objetivo final.

  • Regeneração: Vai além de simplesmente reduzir impactos negativos ou mitigar riscos. Empresas regenerativas comprometem-se a gerar efeitos positivos e duradouros, integrando inovação, governança e uma visão sistêmica em todas as decisões. Essa abordagem demanda uma nova mentalidade, uma visão renovada de negócios e sociedade. O sucesso não se limita ao crescimento econômico, mas também envolve fortalecer redes de vida, revitalizar territórios e estimular a resiliência dos sistemas naturais e sociais.

A Regeneração vai além de produzir, propondo uma nova forma da gente existir. Ela busca restaurar os ecossistemas fortalecendo comunidades e recriando relações econômicas (…) Empresas regenerativas não pensam apenas em mitigar os problemas, e sim em revitalizar realmente territórios, culturas e economias.
– Marina Dain


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Design Regenerativo: A Principal ferramenta para tempos complexos

O Design Regenerativo surge como resposta à complexidade e às incertezas do mundo contemporâneo, representando uma evolução na forma de ver e agir. Uma abordagem que foca nas relações e na visão sistêmica, e não apenas em resultados isolados. A beleza do Design Regenerativo reside em sua aplicabilidade ampla e transversal: independentemente da área profissional, todos podem se beneficiar dessa visão, contanto que estejam dispostos a questionar paradigmas estabelecidos, com as condições necessárias para tomar decisões conscientes e qualificadas.

Abordagem Sistêmica e Multidimensional

Lara e Nana ressaltam que as formações do Gaia Education adotam uma visão holística, integrando teoria e prática em torno de quatro grandes dimensões interconectadas: social, econômica, ecológica e visão de mundo. Essa perspectiva ampla permite o desenvolvimento de soluções inovadoras que superam os métodos tradicionais.

  • Dimensão Social: Melhora a comunicação, fortalece o trabalho em equipe e desenvolve habilidades para construir soluções coletivas;

  • Dimensão Econômica: Permite compreender crises econômicas, praticar novas formas de economia e promover sistemas de produção e consumo conscientes;

  • Dimensão Ecológica: Foca no entendimento dos recursos naturais e seu uso consciente (e inteligente), aplicados às cidades em transição, sistemas de alimentação, energia, uso da terra e água, bioeconomia e biodiversidade;

  • Visão de Mundo: Incentiva o questionamento dos paradigmas pré-determinados e a adoção de novas perspectivas para uma compreensão e atuação mais profunda do mundo. Uma visão holística que une diversidade cultural, arte, educação e bem viver.

O Design Regenerativo não se limita a um campo específico, sua potência está na capacidade de ser aplicado em qualquer área, desde que haja disposição para questionar paradigmas e explorar caminhos inovadores. O objetivo é criar soluções que promovam vida, restaurando ecossistemas, fortalecendo comunidades e incentivando relações econômicas mais justas e prósperas.

As capacidades fundamentais para o Design Regenerativo incluem:

  • Pensamento sistêmico: compreender as relações entre os elementos de um sistema e como uma ação pode impactar o todo;

  • Colaboração e comunicação: trabalhar em conjunto, valorizando a diversidade de perspectivas para construir soluções coletivas;

  • Criatividade e imaginação: explorar novas possibilidades e propor soluções inovadoras para os desafios;

  • Abertura à mudança: disposição para revisitar métodos tradicionais e experimentar novas abordagens.

Qualquer pessoa pode se capacitar com as lógicas do Design Regenerativo e aplicá-las na sua vida pessoal e profissional. Se trata de uma abordagem sistêmica e não de um campo restrito (…) É uma nova forma de atuar no mundo, onde as metas rígidas, caminhos lineares e certezas ilusórias dão espaço para abraçarmos uma realidade complexa, orgânica, sinuosa e que envolve muita experimentação. A partir da mentalidade de designers podemos reunir as melhores condições para colocar novos sistemas em curso.
– Lara Freitas

O papel da liderança transformadora

A integração do Design Regenerativo nas organizações exige uma liderança consciente e inspiradora, capaz de impulsionar transformações profundas e duradouras. Para iniciar essa transição, é fundamental que líderes em distintos níveis hierárquicos estejam dispostos a questionar modelos mentais, valores e práticas pré-estabelecidas, abrindo espaço para novos caminhos e soluções.

Lara e Nana reforçam a importância de programas formativos, como os oferecidos pelo Gaia Education, que estimulam tanto a mudança de mentalidade, quanto apresentam métodos e ferramentas de aplicação prática. É preciso cultivar uma cultura organizacional de aprendizado contínuo, que encare a regeneração como uma jornada dinâmica de longo prazo, em detrimento de metas fixas e pontuais. Deve ser conduzida por meio de diálogos abertos, que incorporem diferentes perspectivas e criem pontes para a compreensão dos benefícios em todas as esferas do negócio.

As lideranças, uma vez capacitadas e sensibilizadas, desempenham o papel crucial de disseminar os princípios do Design Regenerativo em toda a organização, permeando sua estratégia – desde produtos e serviços, cadeia de fornecedores e colaboradores até o planejamento financeiro, entre tantas outras áreas. É necessário transcender a atuação restrita à conformidade e às pressões externas para gerar, de forma genuína, valor compartilhado e impacto positivo real.

Líderes regenerativos valorizam os talentos internos e incentivam uma cultura colaborativa, criativa e inovadora. Constroem soluções que priorizam todas as formas de vida e atuam como agentes de mudança, contribuindo significativamente para a prosperidade sistêmica.

O primeiro passo em direção ao Design Regenerativo é Abertura. Estarmos abertos para revisitar a forma como fazemos as coisas, isso nos dá a primeira condição. A partir disso há uma mudança e tudo o que estamos falando aqui envolve mudança. Não é sustentar o jeito atual, mas encontrar um caminho de efetivamente mudar, que vai além da superfície; mudar nas bases, na essência, na raiz. Olhar com novos olhos e tomar decisões a partir desse indicador - se o que estamos fazendo cuida da vida e gera mais vida - deve ser a prioridade no processo.
– Lara Freitas

Design Geracional: Um mercado de trabalho, cinco gerações

O mercado de trabalho atual é marcado pela convivência inédita de cinco gerações diferentes: Baby Boomers, Geração X, Millennials (Geração Y), Geração Z e Geração Alfa - cada uma com suas características, valores e expectativas. Essa coexistência geracional, embora gere desafios na comunicação e gestão, também representa uma fonte valiosa de experiências e saberes que podem impulsionar a inovação das organizações.

A supervalorização da juventude e a cultura do descartável estigmatizam as contribuições únicas de cada geração, reforçando estereótipos e criando barreiras. Para superar esses obstáculos, é essencial que as empresas invistam em programas de formação e desenvolvimento adaptados às necessidades de cada grupo, promovendo espaços de diálogo e trocas. Os Baby Boomers, por exemplo, podem compartilhar sua experiência e conhecimento acumulado ao longo de anos de trabalho, enquanto as gerações mais jovens podem trazer novas perspectivas e habilidades digitais. Iniciativas como o mentoring reverso, que incentivam a troca de conhecimentos entre os mais experientes e os mais jovens, são exemplos de ferramentas úteis do Design Regenerativo para esse contexto.

Adotar o Design Regenerativo se mostra uma estratégia eficaz para criar ambientes de trabalho mais inclusivos e produtivos, onde o potencial de cada pessoa é reconhecido e valorizado. Ao romper com a mentalidade descartável, as organizações melhoram sua performance. Fomentando a integração multigeracional, transformam a diversidade em vantagem competitiva para um futuro melhor.

Se conseguirmos enxergar que na diversidade temos múltiplas capacidades para as diferentes necessidades, podemos preencher esse tabuleiro, colocando as pessoas dentro das suas habilidades, das suas melhores práticas e possibilidades e, ao mesmo tempo, criar estratégias para uma manutenção e troca constantes do conhecimento. Entender e integrar essa distinção de riquezas é muito importante.
– Marina Dain

A arte de imaginar futuros

No Design Regenerativo, a arte e a cultura são elementos estratégicos para a inovação. Em um mundo dominado pela tecnologia e pela obsessão por soluções rápidas e eficientes, arriscamos perder a capacidade de imaginar futuros diferentes. A arte e a cultura, portanto, desempenham um papel fundamental nesse processo, pois nos permitem expandir nossos horizontes e sonhar com novas possibilidades.

É vital estimular a criatividade e a imaginação desde a infância, incentivando as crianças a brincar, a explorar a natureza e a expressar suas ideias de forma livre e autêntica. No mundo empresarial, esse resgate é essencial, criando espaços para expressões não convencionais, que incentivam a colaboração e a imaginação, habilidades cruciais para a prototipação de soluções inovadoras. Além disso, é fundamental que esses espaços deixem as pessoas à vontade para compartilhar suas ideias, mesmo que pareçam "impossíveis ou fantásticas".

Investindo no desenvolvimento de habilidades criativas e experimentais dos colaboradores, através de workshops ou atividades arte-culturais, as empresas criam vantagens estratégicas. Esse investimento promove um ambiente de trabalho mais rico e engajado, transformando a realidade do negócio.

Precisamos dessa capacidade imaginativa no seu máximo, para que possamos enxergar novos caminhos a percorrer. É uma chave de ancoramento de novos processos e ideias. No campo das empresas, é fundamental manter esse espaço de nutrição constante, a longo prazo, através de movimento contínuo e permanente.
– Lara Freitas

Uma nova inovação para um (não tão) novo século

Em um cenário complexo e permeado por desafios inéditos, o Design de Sistemas Regenerativos surge como a inovação essencial para empresas que buscam garantir prosperidade e perenidade no século 21. Mais do que uma tendência passageira ou metodologia isolada, trata-se de uma visão basilar capaz de assegurar negócios resilientes, inovadores e relevantes, em sintonia com as demandas e oportunidades do nosso tempo. Empresas que adotam uma visão holística – e reconhecem sua interdependência com o meio ambiente, a sociedade e os ecossistemas econômicos – estarão aptas a liderar novos mercados e gerar valor duradouro.

Para isso, é fundamental expandir nosso campo de visão e ir além das práticas comuns e dos paradigmas pré-estabelecidos. A compreensão profunda dos conceitos de ESG, Sustentabilidade e Regeneração deve deixar de ser um mero exercício de conformidade ou uma simples mitigação de riscos operacionais e reputacionais, para se tornar parte intrínseca da estratégia e cultura organizacional. Uma postura aberta, curiosa e exploratória possibilita encontrar soluções sistêmicas, criativas e inovadoras – atributos fundamentais para o sucesso das organizações em contextos incertos e dinâmicos.

Assim, o Design de Sistemas Regenerativos conecta, de maneira prática e inspiradora, as diferentes capacidades abordadas ao longo deste artigo: pensamento sistêmico, liderança transformadora, colaboração geracional, criatividade imaginativa, arte, cultura e expressão. Com estas capacidades, líderes e profissionais fortalecem a relevância e prosperidade dos negócios, contribuindo, também, para um legado positivo em sua totalidade.


Assista ao episódio completo do Podcast Raízes da Inovação, com Marina Dain e Lara Freitas:


Marina Dain é educadora, facilitadora de processos em grupo, mentora e facilitadora visual. Com formação em Design e especialização em Psicologia, Marina acumula uma vasta experiência em sustentabilidade integral, tendo contribuído para a coordenação e educação em mais de 30 programas do Gaia Education. Sua atuação inclui a co-idealização do Ciclo Gaia VivA e a tutoria em dimensões estratégicas como Visão de Mundo e Design Studio do GEDS.

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Lara Freitas é Biourbanista, Mestre em Gestão Urbana e Permacultora, com uma carreira dedicada à promoção de práticas regenerativas. Cofundadora do Programa Permanente Ecobairro e atual diretora-presidente do Instituto Ecobairro Brasil, Lara traz uma visão inovadora que une experiências do setor público, privado e comunitário, sempre com foco na construção de soluções regenerativas que transformam realidades.

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Gaia Education é uma instituição internacional premiada que, desde 2005, vem impactando positivamente a vida de milhares de pessoas em 55 países, formando mais de 26.000 pessoas de 147 nacionalidades. Reconhecido pelo Global Action Programme da UNESCO como Contribuição Oficial para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Gaia Education utiliza uma metodologia que une teoria e prática para promover o design de culturas regenerativas. A instituição oferece ferramentas e experiências que capacitam profissionais a desenvolver projetos transformadores, integrando conhecimentos tradicionais e inovações modernas para enfrentar os desafios da nossa era.

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